Olá, como estão? Eu sou a Érika e, hoje, trouxe um novo poema. Aproveitem! 

Posse

O sol brilha sobre nós
E imagina que louco
Perceber que ninguém possui
Ninguém
Que a vida em suas danças
Vai e volta livremente
Sem se prender a nada
A ninguém
 E ainda que ligues
Não existe
Imaginação
Sua
Porque as asas que se abrem
Alçam voos
Para outro lugar
Ainda que queiras
Ligar-se
Nesse universo disperso
De infinitas possibilidades
Cada um tem seu próprio conjunto
De eventos casuais
E, eventualmente, podem se intersectar
Mas, não deixam de ser
Diferentes conjuntos
Que não se possuem
Nem se contêm 



Olá, como estão? Eu sou a Érika e faz algum tempo que não posto nenhum poema. Mas, trouxe para vocês um hoje! Espero que gostem! 


Sigo

Se seguisse um caminho
retilíneo
poderia ver um horizonte mais firme
Mas, ainda assim, horizontes são voláteis
e de tão impressionada com suas linhas
continuaria distraída em alcançá-lo
Acontece que sigo por curvas
e cada instante, perco-me em
um novo olhar
Acho que é melancólico
de se pensar, que entre
descobertas
disfarces surgem
em verdades absolutas
Mas, cabe-me
enquanto aprendiz de poeta
contentar-me com as palavras
que escrevo-me
em versos
porque o caminho que sigo
não tem “restart”


Olá, galerinha! Como estão? Eu sou a Érika e, depois de tanto tempo, trouxe um poema para vocês! Espero que gostem!

Escolha-se

Descobri que a alma tem um
Jardim próprio
Um ecossistema desconhecido
Que desbrava-se pela vontade de viver
Um oceano para se navegar
Afundar, boiar e descansar
E anjos e demônios demarcam território
Uma luta implacável
Escolha seu lado
Dentro da sua alma
Que tem um timbre único
Escolha-se
Há mais beleza do que terror
É o crepúsculo da sorte
Bonito demais para se ver
A olho nu
Autêntico e altruísta
Em essência
Uma estrela cadente
Não se importa com as desavenças
Escolha seu lado
É um caminho nebuloso
Até o fim do arco-íris


Olá, como estão? Eu sou a Érika e espero que gostem do poema de hoje!

Me disseram

Me disseram antes de sair
Que o universo gosta de brincar
De querer e querer o domínio
Sobre nosso corpo, nossa voz
Que vaga sem sentido
Pelas esquinas de uma rua
Carnavalesca durante fevereiro
Num país do futebol
Neymar é o ídolo de pão e circo
Me disseram antes do meio-dia
Que eu deveria pintar o meu rosto
E eu acho que estou usando um nariz de palhaço
Porque ouço a todo instante
Risadas do topo do planalto central
Vou abrir minhas asas
E sobrevoar pelos morros pacificados
Mas temo que uma bala atinja o meu peito
Me disseram antes do pôr-do-sol
Que eu deveria ser uma boa menina
E acenar quando for o momento
OPORTUNO
Que deveria me contentar
Com um romance novelesco qualquer
Estender minhas mãos e aplaudir
A educação morta pelas avenidas
SUJAS
Me disseram pela madrugada
O que eu deveria dizer
Para confortar os rostos amargos
De quem não vê as regras
IMUNDAS
Desses jogos premeditados
Me disseram antes de cair no sono
Que a ordem e o progresso nacional
Que o país do futuro
Que a pátria educadora
Anda a milhares de anos luz
PARA TRÁS
Me disseram durante o sonho
Para eu me calar


Olá, tudo bom? Meu nome é Érika e espero que vocês gostem da história de hoje. 

O mundo de Ana

Ana tinha uma pele tão escura que em noite de lua nova seu corpo se confundia com o espaço. Tinha, também, um cabelo que se desenrolava enrolando pelo seu rostinho de bochechas avantajadas. Era uma fofura de menina. Mas, ouvir sua voz parecia uma raridade do universo. Às vezes, ela não se sentia parte desta realidade. O mundo a sua volta assemelhava-se mais a um quadro do qual não era capaz de se encaixar.
Ana se perdia muito mais nos seus pensamentos do que na bagunça do exterior. Tudo era tão confuso. Sentia-se, muitas vezes, incapaz de compreender o que havia por trás das películas humanas. Para ela, o mundo, na melhor das hipóteses, tinha uma cor translúcida. Mas, a doce menina, também, não permitia transparecer sua alma através da própria película. Evitava olhar fixamente para qualquer um. Corria do olhar fixo de qualquer um. Queria estar segura dentro do seu esconderijo.
Alguns dias, acreditava viver em um lugar paralelo, porque parecia temer o local onde estava. Ana se distraía com muita facilidade e desviava de ambientes tumultuados. Por isso cultivava poucos amigos. Fugia, ainda, de sons aparentemente comuns. Seu sentido, possivelmente, se expressava de maneira bem mais acentuada que o da maioria. Ela sentia todo esse emaranhado de sentimentos sem saber o porquê. 
Possuía um comportamento, como diria sua avó, um tanto quanto peculiar. Não era só timidez. Tinha uma certa obsessão por organizar seus lápis em escala de coloração. Mas, o que a criança mais gostava era do seu pequeno ursinho de pelúcia. Andava sempre que podia junto daquele brinquedo tão maravilhoso. Afinal, era ele que a protegia das criaturas que poderiam aparecer no seu sonho. Ana o amava muito.
 Infelizmente, durante uma mudança, seu companheiro fofinho foi deixado para trás. Sem querer, seu pai havia levado para caixinha de doações. Ana chorou por dias. “Como iria viver sem ele? Era sua metade” pensava a pequenina. Sua mãe tentou consolar. Seu pai até comprou outro brinquedo parecido. Mesmo assim, ainda houve resistência até o dia que se apaixonou pelo bambolê.
Algumas pessoas diziam que Ana era complicada, mal educada, nariz empinado. Os apelidos e justificativas para personalidade da menina eram inúmeros. Mas, a pequena não tinha culpa de nada disso. Ana era autista.


Olá, tudo bom? Eu sou a Érika e espero que gostem do texto de hoje. Se quiserem, podem deixar seus comentários.

Atenção, isso pode ser ilusório

Em 1988, Cazuza lançou a música Ideologia que, ainda hoje, se propaga pelos mais diversos lugares. Na canção, o cantor diz desejar uma ideologia para viver. Eu, particularmente, não aconselharia a ninguém cultivar tais anseios. Mas, por quê? E, afinal, o que significa esse nome tão elegante?
Essa história inicia-se com o filósofo Tracy, no ano de 1801, quando criou uma ciência que trataria das ideias assim como a física estuda os fenômenos naturais. Ele denominou essa área de ideologia. A proposta inicial demonstrava uma preocupação especial com o retrato quase idêntico da realidade. Em decorrência disso, os primeiros ideólogos orgulhavam-se por se considerarem opostos aos metafísicos. Contudo, essa perspectiva transformou-se bruscamente após a declaração pública de Napoleão Bonaparte acusando tais pensadores de serem responsáveis por parte da desgraça social que assolava os franceses. Desde então, os estudiosos sucessores encaram-na como um verdadeiro perigo à humanidade.
Na obra Visões e Ilusões Políticas, David Koyzis afirma que esses pensamentos assumem uma característica idolatra. São espécies de religiões políticas que apresentam um elemento sagrado que deve ser adorado. Por exemplo, o liberalismo tem como centro a liberdade, a democracia a soberania popular e o socialismo exalta a igualdade.
Devido ao fator mencionado acima, os sujeitos que defendem essas ideias tendem a se perder nelas e, assim, não identificar incoerências óbvias para quem não está subordinado. Deste modo, é comum que se desenvolvam atitudes violentes em defesa dessas doutrinas. Afinal, o homem está cegamente envolvido por uma “paixão ideológica”.
Entretanto, ainda, gostaria de discorrer aqui sobre certos aspectos contraditórios de algumas ideologias. Começaremos pela, talvez, mais polêmica: o socialismo ou mesmo o socialismo democrata. Analisaremos do ponto de vista econômico, cuja sustentação é impossível. Sobre isso, tem-se a teoria elaborada em 1920 pelo austríaco Ludwig von Mises. Segundo ela, resumidamente, a eliminação do sistema de preço culminaria numa ausência de alocação racional de recursos. Por conseguinte, a economia socialista proporcionaria um caos social em decorrência da não realização do cálculo econômico de maneira satisfatória.
Com relação ao liberalismo, nota-se que apesar de seu papel fundamental para os direitos humanos, ele apresenta dois irracionais pontos principais. Em primeiro plano, pode-se citar a crença ilusória de que a soberania do indivíduo perante a autoridade política externa proporcionaria a salvação da humanidade. Em segundo plano, ressalta-se a afirmação de Koyzis de que os liberais não conseguem enxergar no Estado uma instituição que tem autoridade.
Essas ideias não são as únicas ideologias existentes. Poderia, ainda, citar o nacionalismo, a democracia e o conservadorismo. Entretanto, o que todas elas apresentam em comum e que me levam a ressaltar, neste texto, é a propensão à divinização de tais correntes. Essa realidade impõe um ambiente caótico e hostil à paz e ao respeito mútuo entre os indivíduos.
Foi com esse intuito que há um tempo escrevi esse poema, que sintetiza uma parte do que foi observado aqui:

“Eu gosto que me confunda
Destrua minhas ideias
Que estavam em um arranjo ideológico
Aprecio que desfaça meus preconceitos
E permita-me, assim, edificar um novo modelo
Que defina minhas perspectivas e aspirações
Para que depois
Se, novamente, se perderem em argumentos irracionais
            Eu possa reformula-los
Como a metamorfose ambulante de Seixas
Que foge de credos ideológicos”


Olá, galerinha! Tudo bom? O conto de hoje é do Rodrigo Barros ! Espero que vocês gostem.


Um amigo de Guerra

          Hoje, 20/08/1976, venho aqui relatar um acontecimento que marcou minha vida pra pior, malditos nazistas! Aqueles filhos da puta acabaram com a minha vida e tiraram tudo o que mais tinha de feliz nela e como na época não pude contar, deixo aqui, nessa gravação uma revelação que abrirá sua mente para do que aqueles malditos eram capazes.
           1939, ano em que a 2ª guerra mundial começou, aliados versus eixo. Poucos anos depois, a Alemanha convocava camponeses e outros de baixa renda para integrar-se ao exército, nesse meio de convocados estava eu, Manuel Becker. Eu era camponês, casado, tinha três filhos, dois meninos e uma menina, sendo a ordem de nascimento: Nina, Thomas, Hummels, e minha esposa chamava-se Ann. Era uma família linda, era!
            Durante a convocação, alguns dos militares iam pessoalmente atrás de seus novos integrantes. Era uma manhã de quinta-feira, estávamos - eu e minha família – reunidos para o café, quando menos espero, militares entram arrombando a porta e rendendo todos que na casa estavam. Avisaram que iam me recrutar para a guerra, mas idiotamente recusei, pior decisão da minha vida. Com essa recusa, eles me espancaram, bateram no meu filho mais velho, Thomas, que tentou me ajudar. Aqueles filhos da puta estupraram minha filha e minha esposa na frente (choro), espancaram-nas também. Isso foi muito doloroso pra mim, minha vontade era de mata-los, mas não podia. Estava igual um verme, machucado no chão.
            Fui recrutado e com uns três ou quatro anos já era comandante, mas não com todo poder, eles me negavam em todas as reuniões importantes. Porém, teve uma que eu consegui ver e ouvir, de forma ilícita, mas consegui. Eram experimentos com judeus, eles eram submetidos a congelamentos, descargas elétricas, doenças experimentais e a outras barbaridades que nem o pior ser humano do mundo merecia, com exceção de Hitler. Esse era o único que merecia passar por isso. Eu consegui salvar um judeu, não sabia seu nome, mas nesse dia ele me viu e implorou com gestos a minha ajuda. Eu era contra aquilo tudo de ideias racistas, estava lá por falta de escolha, ou tava lá ou tava morto. Contudo, nesse dia, não sei o que houve comigo, ajudei-o sabendo que agora estava com a cabeça a prêmio. Resgatei-o e consegui esconde-lo, não sei bem onde era, mas consegui. Dias depois ele fugiu sem dar notícias. Eu o alimentei e ‘curei’ durante os dias anteriores a sua fuga.
            Durante uma expedição, encontrei-o escondido em uma construção subterrânea na Polônia. Daí ele me convenceu a largar o exército e fugir, voltar para casa. Fui convencido e a aventura foi grande.
        Atravessei a Alemanha até chegar Köln (Colônia), minha terra natal. Durante o trajeto, passamos e lutamos contra frentes de batalha. O mais difícil foi sair da Polônia, lutei com uma metralhadora simples, porém foi o suficiente para dar tempo de escapar.  Mas, ainda, meu colega judeu foi atingido um pouco depois da fronteira. Tive que socorrê-lo, pois tinha que continuar a caminhada, a sorte foi que aprendi algumas noções de primeiros socorros. Foram quase dois meses a pé, e, uma vez ou outra, arrumávamos uma carona. Contudo, isso era raro e quando acontecia era de forma clandestina.
            Passado esse tempo, chegar em casa foi uma emoção surreal, abracei minha esposa por uns dez minutos em silencio e depois abracei meus filhos. A guerra, uns anos depois, acabou e a Alemanha mais uma vez foi derrotada. Infelizmente, voltamos à merda, mas essa era uma merda que eu gostava, pois tinha voltado para casa, para minha família e para minha vida que eu tanto amava, na natureza e coisas parecidas.
           Quanto ao amigo judeu, aprendi seu nome ao atravessar a fronteira, chamava-se Isaac Haddad, tinha 38 anos e era de origem espanhola. Tinha ido pra Alemanha ver se conseguia uma vida melhor. Ele morreu faz três dias, 17/08/1976, e antes de morrer, eu queria fazer essa homenagem a ele, dizer tudo o que ele sofreu e o que acontecia internamente no holocausto. Espero que esteja bem onde estiver. Aqui digo o adeus final a meu amigo de guerra. Adeus!