Olá. galerinha! Eu sou a Érika e estou invadindo o Marcas Literárias de novo. Espero que gostem do texto de hoje!

Colmeismo

Amélia era apenas mais uma abelha operária presa à estrutura da sua colmeia. Repetia os passos de seus ancestrais noite e dia. Dezesseis horas de jornada diária. Sem férias ou uma recompensa tão boa quanto a da abelha rainha.
Quando era uma criança abelhinha frequentava as aulas de um sistema altamente rígido e quase caindo aos pedaço. Na merenda, o mel quase sempre faltava. Alguns de sua espécie, provavelmente, levara para casa. Altamente individualistas, pensava. Suas aulas eram voltadas para o seu futuro operário. Na verdade, Amélia não compreendia a tal ideologia liberabelhismo, a liberdade pregada parecia tão frágil. Da colmeia não podia sair, era seu destino predestinado. Sentia-se um objeto dentro do sistema que pregava a soberania do indivíduo. Altamente materialista, repetia.
Na maturidade da sua curta vida de abelha, tentou externar todos os esses seus pensamentos. Chegava próximo a um grupo de amigos e explanava o seu horror e incompreensão. Contudo, os demais riam dela e reproduziam sempre as mesmas palavras: “deixa disso, Amélia”, “sua maluca” ou “vai acabar envolvida com pesticidas assim”.
Talvez, até pensasse em desistir. Mas, sua lealdade pela própria crença a tornou insensível a qualquer má consequência que pudesse gerar. Assim, numa manhã na fábrica de mel, recusou-se a trabalhar enquanto não pudesse descansar um dia semanalmente. Alguns riram dela. Embora, a maioria tenha decidido acompanha-la vislumbrando a maravilha do dia de lazer.
Amélia foi condenada pela abelha rainha por desordem pública e bruxaria. Teve a morte mais dolorosa possível. Colocada na frente da praça, serviu de exemplo a todos os outros insetos que seguissem o mesmo caminho que ela. Como uma grande amiga do seu povo, a rainha mostrou qual resultado dessas atitudes horrendas e imbecis.


Olá, galerinha! Tudo bom? O poema de hoje é da Yara! Espero que vocês gostem. Por favor, não esqueçam de deixar seus comentários!

Pessoas pássaros

Segunda feira
Está quase à noite
E o que posso ouvir é só o barulho dos pássaros que posam naquela árvore no quintal da minha casa, eles preenchem aquela árvore, e depois voam...
No dia seguinte, voltam a preenchem de novo e novamente voam.
Todos os dias, na mesma hora vou até meu quintal só pra ver essa cena se repetir, todos os dias eu olho pra aquela imagem e penso...
Que aquela árvore tem algo em comum comigo...
E os pássaros são as pessoas que passam por a bagunça que chamo de vida...
Elas chegam me preenchem e vão embora.
Mas, finalmente, entendi o motivo dos pássaros não permanecerem naquela árvore, o motivo é que são livres, então voam, mas logo depois voltam, pois a árvore é o lar deles e podemos voar o mundo inteiro, mas sempre voltamos para aquilo que chamamos de lar.
Espero que um dia uma dessas "pessoas pássaros" me faça de lar e volte, espero que um dia eu seja realmente aquela árvore.


Olá, galerinha!! Como vão vocês? Eu sou a Érika e, mais uma vez, estou roubando o blog para postar algo. Enfim, espero que gostem <3.

Amélia

João era cabra valente. O filho mais velho. Sempre orgulhou seu pai. Na infância, era o sonho das garotinhas na escola. Tinha milhares de namoradinhas. Aos doze anos já virava a noite fora de casa. Pegava todas as menininhas. Era, como seu pai dizia, “um homem de verdade”. Ele não tinha essas “viadagens”.
Vivia em todas as festas. Bebia muito. Fumava de tudo. Quando foi morar só, a cada noite uma mulher passava em sua casa. Mas dizia que nunca se casaria com nenhuma daquelas “putas”.  Um dia, conheceu Amélia. Amélia que era mulher de verdade. Só dele. Só para ele. Comandada por ele. Casaram-se no dia 8 de março. Ele proibiu Amélia de trabalhar. Queria-a só pra si. Então, Amélia vivia só em casa. Cozinhando, passando e limpando para o seu amor.
Toda noite João chegava tarde. Dizia que passava muito tempo no trabalho. Amélia desconfiava. Ele tinha cheiro de cigarro e bebida barata. Mas, ela relevava. Homens podem. Homens precisam. Até porque, no final, ele sempre voltava para casa. Ela o compreendia.
Com dois anos de casados, ela engravidou. Eram gêmeos. Uma menina e um menino. Carlos e Ana. João estava tão contente. Ia ensinar ao seu filhinho como jogar futebol e, principalmente, a como ser um conquistador. E a sua filhinha, meu Deus, ia guardar para si. Ia pedir a sua esposa para ensiná-la “coisas de meninas ideais”.
Quando tinham seus 15 anos, as criancinhas se apaixonaram por poesia. Mas, João proibiu Carlos de continuar a ler aquelas coisas que ele chamou de “ de gay ou de menininha”. Três anos depois, presenteou seu filho com um carro e Ana com uma roupa de bailarina. Quando ela ousou pedir um automóvel também, seu pai gritou que mulher não tem capacidade para dirigir como um homem.
Carlos era homem, podia. Ana, não. Ana era mulher! Mulheres no volante são um perigo constante. Mas, por trás de um grande homem sempre há uma grande mulher. Mulher devia ser como Amélia. Não exige. Passa. Cozinha. Lava.
Um dia Amélia se revoltou. Ana também. Queriam ser livres. Não abaixar a cabeça. Ser alguém. Queriam ter direitos iguais. Descontruindo-se. Descontruindo o machismo enraizado na alma de uma sociedade politicamente correta.


Olá, gente! Eu sou a Érika e estou invadindo mais uma vez o  Marcas Literárias para trazer um novo poema. Espero que gostem!

Descaso

Eu só quero um pouco de calma
Nesse mundo mirabolantemente extravagante
Eu quero me sentir leve
Por uns milésimos de segundos
Eu só quero sair desse estado de tensão
Constantemente alucinógeno
Parar e apenas observar
O mundo lá fora
Enquanto ainda não me sinto
Preparadamente despreparada para encará-lo
Eu quero sobrevoar por algum lugar distante
Sem tráfego ou sem o tráfico
Desses corpos que estão à deriva
De algo que não sei exatamente o que é
Eu só quero não ter um milhão de respostas
Para mesma e irritante pergunta
Eu só quero por enquanto
Deixar o acaso por descaso me levar